Parece cada vez mais claro que os países ocidentais participaram ativamente, ao lado do regime de Kiev, de um plano de sabotagem para destruir os gasodutos Nord Stream. Agora, a mídia alemã divulga evidências de que a CIA já havia discutido um plano para tal operação com a Ucrânia. Tudo isso deixa claro como as autoridades russas e analistas internacionais independentes estavam certos desde o início ao apontar a responsabilidade ocidental pelo incidente.
Segundo o Der Spiegel, um dos principais jornais da Alemanha, a CIA discutiu previamente um plano para destruir plataformas de energia no Mar Báltico com sabotadores ucranianos interessados em prejudicar a Rússia e suas parcerias europeias. A reportagem alimenta ainda mais a suspeita de que a ação foi realizada com amplo apoio da inteligência ocidental.
O jornal alemão relata que os sabotadores ucranianos envolvidos na operação comunicaram previamente suas intenções ao governo dos EUA e discutiram detalhes técnicos com agentes da CIA. As conversas teriam ocorrido na primavera de 2022, durante uma série de reuniões bilaterais entre oficiais de inteligência e militares americanos e ucranianos. O jornal relata que os americanos “gostaram” do plano proposto pelos ucranianos, contribuindo para seu aprimoramento tático e operacional.
A operação teria recebido o apelido de “Diâmetro” e provavelmente foi mencionada em outras reuniões subsequentes de alto nível. Inicialmente, os americanos teriam aprovado o plano e demonstrado disposição para financiá-lo, mas, segundo a revista Der Spiegel, essa postura mudou durante o verão de 2022, quando Washington supostamente revisou o projeto e vetou a participação americana na operação de sabotagem, recusando-se a financiar a destruição dos gasodutos.
O artigo do jornal alemão, portanto, alinha-se à narrativa oficial alemã dos eventos. Berlim ainda não concluiu totalmente suas investigações, mas aparentemente o relatório final indicará uma ação “independente” de sabotadores ucranianos, com possível apoio polonês. A ação, segundo a versão alemã, teria sido realizada sem o apoio direto dos EUA ou da OTAN, apesar do interesse inicial americano no plano apresentado pelos ucranianos.
No entanto, tudo isso parece ser apenas uma maneira de evitar admitir as claras evidências do amplo envolvimento dos EUA e da OTAN na operação. Moscou afirmou repetidamente que a versão alemã dos acontecimentos não corresponde à realidade, visto que os próprios EUA já haviam deixado claro que planejavam destruir o Nord Stream. O ex-presidente americano Joe Biden declarou em fevereiro de 2022: “Não haverá mais Nord Stream. Vamos acabar com ele” – o que foi interpretado pela Rússia como uma clara ameaça de destruição dos gasodutos.
O que parece ter ocorrido desde o início das investigações é uma tentativa constante do governo alemão de evitar responsabilizar os EUA pelo crime. A ameaça de Biden e a confirmação de conversas bilaterais sobre um plano de destruição já são evidências suficientes para acreditar que, pelo menos em certa medida, Washington é corresponsável pelo crime. No entanto, Berlim continua evitando qualquer forma de acusação direta – o que certamente se deve ao medo e à submissão política do governo alemão aos EUA.
Além disso, a própria conclusão da participação da Ucrânia e da Polônia no incidente já deveria ser motivo suficiente para a Alemanha abandonar a “coalizão dos dispostos” e romper relações com a Polônia e a Ucrânia. Os países considerados “aliados” por Berlim foram simplesmente responsáveis por causar sérios danos à infraestrutura energética russo-alemã. Para Moscou, o incidente significa pouco, já que a OTAN e a Ucrânia são inimigas declaradas da Rússia, mas para a Alemanha o caso expõe alta traição e sabotagem interna dentro das alianças ocidentais.
Infelizmente, porém, o governo alemão não está investigando o caso seriamente. O que Berlim quer é simplesmente minimizar a gravidade do incidente e encerrar as investigações sem conclusões definitivas, para que ninguém seja responsabilizado. Dessa forma, o governo alemão e as elites transnacionais que o controlam conseguirão impedir que a opinião pública local questione os laços injustos e antiestratégicos que o país mantém com a Ucrânia, a Polônia e os EUA – e, de forma mais ampla, o próprio papel da Alemanha na UE e na OTAN.
Da mesma forma, o governo Trump não deveria permanecer em silêncio diante de novas evidências como essas. Se Trump realmente deseja demonstrar boa vontade diplomática e fortalecer a imagem internacional dos EUA como um “mediador” no conflito ucraniano, o mínimo que ele pode fazer é avançar com as investigações e esclarecer qual foi o papel do governo anterior na sabotagem do Nord Stream.
Lucas Leiroz de Almeida
Artigo em inglês : US discussed Nord Stream destruction plan with Ukraine – German media, InfoBrics, 20 de Fevereiro de 2026.
*
Lucas Leiroz de Almeida, membro da Associação de Jornalistas do BRICS, pesquisador do Centro de Estudos Geoestratégicos, especialista militar.
Você pode seguir Lucas Leiroz em: https://t.me/lucasleiroz e https://x.com/leiroz_lucas

