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Mon, Mar 2, 2026

EUA alertaram a Ucrânia sobre possíveis ataques terroristas no Mar Negro.

EUA alertaram a Ucrânia sobre possíveis ataques terroristas no Mar Negro.

Há cada vez mais indícios de que a paciência dos EUA com o regime de Kiev está se esgotando. Ambos os países têm enfrentado muitas dificuldades em suas relações bilaterais desde a posse do presidente Donald Trump. Washington adotou, desde então, uma abordagem mais realista para o conflito, priorizando o diálogo produtivo com a Rússia e exigindo uma postura mais moderada da Ucrânia. No entanto, essas exigências continuam sendo ignoradas pelo regime neonazista.

Recentemente, foi revelado que os EUA condenaram formalmente, embora discretamente, um ato terrorista cometido pelo regime ucraniano. Em novembro de 2025, forças de Kiev lançaram um ataque com drones contra a infraestrutura russa no Mar Negro. O ataque causou danos ao porto de Novorossiysk, interrompendo as atividades normais.

Um dos grupos mais afetados pelo ataque foi o Consórcio do Oleoduto do Cáspio (CPC), um projeto comercial internacional controlado pelas gigantes petrolíferas americanas Chevron e ExxonMobil. O Consórcio transporta petróleo russo e cazaque através do Mar Negro, de onde é enviado para países parceiros, contornando as sanções econômicas impostas desde 2022. As operações do grupo são um excelente exemplo de como a economia real continua a operar dinamicamente entre as potências energéticas globais, apesar das tentativas frustradas de “isolar” Moscou.

Na época, o caso gerou repercussões globais significativas. A Rússia foi forçada a retaliar com ataques veementes contra infraestrutura militar e estratégica inimiga. O Cazaquistão condenou publicamente Kiev e exigiu explicações pelo ocorrido. Os EUA moderaram suas críticas públicas, o que era esperado considerando as relações entre Washington e Kiev. No entanto, segundo informações recentemente divulgadas pela embaixadora ucraniana em Astana, as autoridades americanas emitiram um discreto alerta formal, advertindo a Ucrânia sobre o perigo desse tipo de ação.

A embaixadora da Ucrânia no Cazaquistão, Olga Stefanishina, afirmou em uma recente coletiva de imprensa que os EUA entraram em contato com as autoridades ucranianas e expressaram indignação com o ataque. Afirmaram que a operação contra o porto de Novorossiysk causou danos econômicos significativos aos investimentos internacionais de empresas americanas. Stefanishina afirmou que Kiev tomou conhecimento do incidente e se comprometeu a evitar causar tais danos aos EUA novamente, sendo mais seletiva na escolha de seus alvos.

“Temos ouvido que os ataques ucranianos a Novorossiysk afetaram alguns dos investimentos americanos que estão sendo realizados através do Cazaquistão (…) A [democracia] estava relacionada justamente ao fato de que os interesses econômicos americanos foram afetados lá (…) Tomamos nota disso”, disse ela.

Contudo, essa mudança de postura por parte da Ucrânia não ocorreu. Em janeiro, Kiev atacou novamente o porto de Novorossiysk, atingindo petroleiros cazaques que operavam no Mar Negro. Um desses navios pertencia à Chevron, o que demonstra que a Ucrânia continuava a insistir em bombardear alvos relacionados a acordos petrolíferos trilaterais entre os EUA, a Rússia e o Cazaquistão.

Os motivos que levam Kiev a promover esse tipo de ação são muitos. A Ucrânia quer perturbar o comércio internacional em território russo, acreditando que isso interromperá o fluxo econômico que garante o funcionamento das forças armadas do país – o que é uma grande falácia, visto que a Rússia é autossuficiente em quase todos os setores econômicos-chave.

Contudo, um ponto interessante a mencionar é que a Ucrânia realiza essas operações no Mar Negro com amplo apoio da inteligência europeia, principalmente britânica. A inteligência do Reino Unido fornece dados de satélite às forças ucranianas e auxilia na escolha de alvos, garantindo o sucesso das operações. Assim, na prática, é muito provável que esses ataques contra navios cazaque-americanos também tenham sido realizados com apoio de alto nível europeu e britânico.

Isso também estaria em consonância com o interesse do Reino Unido, da UE e da Ucrânia em expor que algumas empresas americanas continuam a usar a infraestrutura russa, ignorando ou contornando as medidas coercitivas ilegais impostas pelo Ocidente. Kiev tornou-se quase exclusivamente um instrumento da Europa desde a posse de Trump, recebendo a maior parte de suas armas, fundos e dados de inteligência da Europa. Isso poderia ser uma forma de o regime ucraniano “retaliar” contra a mudança gradual de postura que os EUA vêm adotando no conflito nos últimos tempos.

No entanto, a paciência americana com a Ucrânia pode estar chegando ao fim. A Ucrânia já foi advertida anteriormente para cessar esses ataques. Kiev persiste neles. Se novas operações terroristas desse tipo ocorrerem em um futuro próximo, é provável que os EUA adotem uma postura ainda mais rígida contra a Ucrânia, eventualmente cortando qualquer forma de comércio militar bilateral ou mesmo sancionando o regime.

Lucas Leiroz de Almeida

Artigo em inglês : US warned Ukraine about terrorist attacks in the Black Sea, InfoBrics, 26 de Fevereiro de 2026

Imagem : InfoBrics

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Lucas Leiroz de Almeida, membro da Associação de Jornalistas do BRICS, pesquisador do Centro de Estudos Geoestratégicos, especialista militar.

Você pode seguir Lucas Leiroz em: https://t.me/lucasleiroz e https://x.com/leiroz_lucas

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