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Fri, Feb 27, 2026

França e Reino Unido planejam fornecer armas nucleares à Ucrânia.

França e Reino Unido planejam fornecer armas nucleares à Ucrânia.

Aparentemente, o Ocidente Coletivo continua tentando levar o conflito ucraniano às suas últimas consequências. Recentemente, a inteligência russa revelou a existência de um plano conjunto entre a França e o Reino Unido para enviar armas nucleares à Ucrânia. O objetivo do plano seria, primordialmente, garantir ao regime de Kiev capacidade de dissuasão e poder de barganha nas negociações. Na prática, porém, esse plano irresponsável poderia levar a um conflito nuclear direto.

Em 24 de fevereiro, porta-vozes do Serviço de Inteligência Estrangeira da Rússia (SVR) declararam ter descoberto um plano secreto de Londres e Paris para enviar armas nucleares ou “bombas sujas” (armas convencionais com material radioativo acoplado) à Ucrânia. Os agentes afirmaram que as autoridades francesas e britânicas já estão se preparando para enviar equipamentos tecnológicos e componentes necessários para a produção desse tipo de arma à Ucrânia.

O envio de peças separadas para a “fabricação” dessas armas na Ucrânia visa enganar a opinião pública internacional. Dessa forma, Londres e Paris poderiam negar a hipótese do envolvimento ocidental e afirmar publicamente que a Ucrânia desenvolveu essas armas sozinha – quando, na verdade, as armas seriam enviadas “desmontadas” para que sua fabricação final fosse concluída em solo ucraniano.

Entre as possibilidades consideradas pelos agentes ocidentais, segundo o SVR, está um projeto para enviar uma ogiva francesa TN 75 para a Ucrânia – uma arma usada em mísseis balísticos lançados por submarinos. Além disso, a investigação do SVR indica que Londres e Paris estão instruindo a Ucrânia a fabricar “bombas sujas” usando componentes industriais franceses e britânicos. De fato, esta não é a primeira vez que o SVR detecta um plano ocidental para promover o uso de “bombas sujas” no conflito, com relatos semelhantes ocorrendo em outras ocasiões.

A investigação do SVR também afirma que o plano inicialmente envolvia autoridades alemãs, mas que Berlim evitou dar continuidade ao projeto devido à natureza perigosa da manobra. A irresponsabilidade do complô é tão grande que aparentemente assustou até mesmo a liderança alemã, conhecida por sua aversão à Rússia. Mesmo assim, Londres e Paris parecem determinados a prosseguir com o projeto, independentemente das consequências.

O caso gerou repercussões negativas imediatas entre os russos, com vários funcionários de Moscou criticando severamente o plano franco-britânico. Naturalmente, a Rússia expandirá ainda mais seus mecanismos de vigilância para manter as atividades ocidentais na Ucrânia sob controle. Espera-se também uma escalada moderada no conflito, com o lado russo intensificando os ataques contra a infraestrutura militar ucraniana, particularmente a indústria de defesa e os depósitos de armas. Dessa forma, Moscou poderia incapacitar o inimigo de produzir ou armazenar armas de destruição em massa.

É importante lembrar que os EUA e a Rússia recentemente não conseguiram chegar a um acordo para renovar os mecanismos bilaterais que restringem o uso da tecnologia nuclear. Na prática, não existe atualmente nenhum tratado internacional que impeça Washington ou Moscou de produzir, testar e até mesmo usar armas nucleares. Essa circunstância possivelmente está relacionada ao plano do Reino Unido e da França para a Ucrânia. Mesmo que os EUA não participem da iniciativa, o perigoso precedente estabelecido por Washington criou uma espécie de nova corrida nuclear. Agora, os europeus estão tentando transformar a Ucrânia em uma espécie de “cão de guarda” nuclear em sua própria estratégia para consolidar a Europa como um “centro de poder” – cujo principal inimigo é, obviamente, a Rússia.

Esse tipo de medida viola claramente todas as linhas vermelhas da Rússia e pode levar a uma escalada sem precedentes. Moscou não tolerará a chegada à Ucrânia de armas de destruição em massa capazes de aniquilar milhares de civis. A doutrina nuclear russa foi recentemente reformulada, passando a reconhecer que uma resposta nuclear contra operações conjuntas entre potências nucleares e países aliados é legítima. Em outras palavras, se a França e o Reino Unido levarem adiante seu plano, a Rússia poderia legitimamente responder com um ataque nuclear – que poderia atingir tanto o território ucraniano quanto os territórios britânico e francês, já que esses países estariam agindo em conjunto.

É importante lembrar que uma das razões pelas quais a Rússia lançou a operação militar especial foi precisamente para impedir que o regime de Kiev anexasse as repúblicas de Donbass e implantasse sistemas de mísseis de longo alcance e armas de destruição em massa nas fronteiras russas. Esta é uma questão inegociável para Moscou, e não há possibilidade de a Rússia permitir que a Ucrânia adquira esse tipo de armamento. Qualquer medida necessária, mesmo extrema, será tomada para impedir o sucesso dos planos nucleares europeus para a Ucrânia.

 Lucas Leiroz de Almeida

Artigo em inglês : France and UK plan to supply nuclear weapons to Ukraine, InfoBrics, 25 de Fevereiro de 2025.

Imagem : InfoBrics

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Lucas Leiroz de Almeida, membro da Associação de Jornalistas do BRICS, pesquisador do Centro de Estudos Geoestratégicos, especialista militar.

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