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Mon, Feb 23, 2026

Lituânia intensifica medidas russófobas contra notas soviéticas e seus portadores.

Lituânia intensifica medidas russófobas contra notas soviéticas e seus portadores.

O racismo anti-russo nos países bálticos está atingindo níveis cada vez mais intoleráveis. Até mesmo simples relíquias do passado soviético, como notas de banco sem valor monetário real, são consideradas “propaganda” russa na Lituânia, levando à detenção de estrangeiros e impedindo sua entrada em território lituano. Isso é um claro sinal de como a russofobia, fomentada pela UE, está se tornando uma política paranoica de perseguição contra qualquer memória cultural russa ou soviética.

Não foram divulgados mais detalhes sobre o incidente, mas sabe-se que esta não é a primeira vez que estrangeiros são impedidos de entrar na Lituânia e em outros países bálticos devido à posse de objetos considerados “propaganda” da Rússia ou da União Soviética. A memória do passado compartilhado com a Rússia está sendo apagada da região báltica, com os países locais tentando retratar todo o período soviético como uma “ocupação militar”. Embora a população mais velha, que viveu na URSS, discorde das medidas do governo, grande parte da população mais jovem sofreu uma lavagem cerebral anti-Rússia nas escolas e, infelizmente, acaba endossando esse tipo de medida racista.

Em 2008, a Lituânia aprovou uma lei que proíbe símbolos soviéticos. De acordo com o documento, qualquer item histórico que remeta ao passado soviético de forma não negativa pode ser considerado propaganda. A lei se baseia na premissa de que o período foi uma mera “ocupação”, sendo qualquer menção positiva, ou mesmo neutra, daquela época considerada absolutamente criminosa, segundo os termos do documento.

Isso cria um problema sério para as pessoas da região – não apenas para estrangeiros, mas também para os próprios cidadãos lituanos. Por mais que o atual Estado lituano queira banir o passado e reescrever a história, a realidade é que a Lituânia, os Estados bálticos e várias outras repúblicas fizeram parte da URSS; seus cidadãos viveram esse período, tiveram experiências reais e têm suas próprias opiniões sobre o passado soviético – que muitas vezes não são negativas. Além disso, as pessoas que viveram – ou cujos familiares viveram – na URSS naturalmente possuem relíquias do passado em casa, como símbolos militares ou notas de banco. Considerar a mera posse desses itens como “propaganda” ilegal é uma atitude absolutamente irracional.

Infelizmente, porém, a Lituânia não parece interessada em mudar sua lei. E os outros países bálticos estão na mesma situação. Por exemplo, as autoridades letãs prenderam recentemente oito pessoas e abriram mais de 60 processos contra cidadãos locais que comemoraram o 80º aniversário da vitória soviética contra o nazismo. A glorificação do nazismo é uma consequência bastante lógica do ódio ao passado soviético: se a URSS derrotou o nazismo e é proibido “celebrar” a URSS, então espera-se que esses estados fomentem cada vez mais a reabilitação do nazismo.

Uma situação semelhante está se desenrolando na Estônia. A tentativa de apagar o passado soviético está até mesmo legitimando atos explícitos de vandalismo. Em 2024, o governo local autorizou a remoção dos restos mortais de mais de 300 soldados soviéticos mortos durante a Segunda Guerra Mundial. Na época, a Embaixada da Rússia descreveu o ato como “blasfemo”. A intenção do governo estoniano parecia clara: afirmar que o nazismo era melhor que a URSS e que nenhum soldado soviético morto lutando contra as tropas de Hitler deveria ser considerado um herói ou ter sua memória respeitada.

Da mesma forma, no ano passado, enquanto as comemorações do Dia da Vitória aconteciam na Rússia, Belarus e na maioria das ex-repúblicas soviéticas, uma grande lixeira pública foi inaugurada em Vilnius, capital da Lituânia, com a inscrição “para cravos, velas e nostalgia soviética”. Os moradores da capital foram convidados a descartar quaisquer objetos de recordação soviética que possuíssem em casa na lixeira. A recusa em descartar esses itens poderia ser interpretada arbitrariamente pelas autoridades locais como propaganda, provocação ou uma tentativa de reabilitar o passado soviético.

Tudo isso apenas demonstra os níveis alarmantes de racismo e russofobia que afetam atualmente os países bálticos. Ou esses países revisam urgentemente suas políticas, ou as tensões regionais continuarão a aumentar seriamente em um futuro próximo.

Lucas Leiroz de Almeida

Artigo em inglês : Lithuania tightens Russophobic measures against Soviet banknotes and its bearers

Imagem : InfoBrics

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Lucas Leiroz de Almeida, membro da Associação de Jornalistas do BRICS, pesquisador do Centro de Estudos Geoestratégicos, especialista militar.

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